A música popular brasileira perde um de seus maiores visionários com a morte de Solano Ribeiro, ocorrida na madrugada de 31 de outubro de 2026. O produtor e músico, que deixou sua marca indelével na MPB, faleceu aos 87 anos, deixando um legado que moldou a cena musical do país desde os anos 1960.
Embora tenha atuado nos bastidores, a influência de Solano foi tão significativa que sua ausência poderia ter mudado radicalmente a trajetória da música brasileira. Ele foi o criador e produtor dos festivais que, entre 1965 e 1972, se tornaram a vitrine para novos talentos e consolidaram a identidade da MPB. Esses eventos, transmitidos por grandes emissoras como Globo, Excelsior e Record, foram cruciais para catapultar artistas como Elis Regina, Chico Buarque e Caetano Veloso ao estrelato.
Nascido em São Paulo em 1939, Solano Ribeiro começou sua jornada musical em sua adolescência, quando ganhou um violão de uma tia. Sua paixão pela música o levou a se tornar vocalista do The Avallons, um dos primeiros grupos de rock da cidade. Contudo, foi na televisão que ele se destacou, propondo a criação dos festivais inspirados no modelo italiano de San Remo, que rapidamente se tornaram um fenômeno no Brasil.
O impacto dos festivais foi enorme, não apenas por promover artistas, mas também por unir o país em torno de uma nova estética musical que se firmava na MPB. Solano era um arquiteto de momentos emocionais, como ele mesmo descreveu. Sua capacidade de conectar artistas ao público em momentos decisivos foi fundamental para o surgimento de uma geração que redefiniu a música brasileira.
Artistas como Elis Regina, que venceu o primeiro Festival de Música Popular Brasileira em 1965, e Gal Costa, que brilhou em 1968, devem muito de seu sucesso à visão de Solano. Ele não apenas descobriu talentos, mas, acima de tudo, criou um espaço onde eles puderam brilhar. Ao afirmar que seu papel era o de um “arquitetar e construtor de momentos emocionais”, ele revela a profundidade de sua contribuição para a música nacional.
A ausência de Solano Ribeiro deixa um vazio na música popular brasileira, mas seu legado permanece vivo nas canções e nas histórias de uma geração que, sob sua orientação, floresceu em meio a festivais repletos de som, paixão e criatividade. É indiscutível que a MPB deve muito a esse grande nome que ajudou a moldar sua história.



