No dia 17 de janeiro, Maria Bethânia subiu ao palco da casa Vivo Rio para dar início às gravações de seu mais novo projeto: um álbum ao vivo que celebra seus 60 anos de carreira. Com uma apresentação cheia de emoção e calor, a artista encantou o público em duas noites memoráveis, que prometem se tornar um marco na sua discografia.
O álbum “60 anos de carreira”, lançado na última sexta-feira, dia 6 de novembro, conta com 46 músicas dispostas em 38 faixas, revelando um longo e rico percurso na música brasileira. Este é o primeiro trabalho de Bethânia em cinco anos, marcando um hiato considerável em sua produção, o que a torna ainda mais especial. A artista, que já expressou seu desinteresse em gravar álbuns de estúdio devido às transformações do mercado musical, pode optar por futuros lançamentos em formato de singles.
A capa do álbum, que exibe a obra “A descida do Corcovado ou Ogum” do artista Flávio Império, é um tributo visual à trajetória de Bethânia. Embora a pintura tenha sido utilizada anteriormente, sua presença aqui é adequada e ressoa com a essência do espetáculo. O álbum, com quase 83 minutos de duração, deverá ganhar uma edição em LP, que, se concretizada, precisará ser extensa para abarcar todo o conteúdo.
Enquanto a versão em CD duplo já está confirmada pela gravadora Biscoito Fino e deve ser lançada em 2026, a captação ao vivo do show traz uma sonoridade vibrante, destacando a mistura de instrumentos de sopro e percussão que caracterizam a performance da cantora. Com uma produção musical assinada por Pedro Guedes e Thiago Gomes, a voz de Bethânia se mantém fiel à experiência do palco, com intervenções sutis na pós-produção.
Neste novo show, que estreou em setembro, foram incluídas cinco músicas inéditas, das quais quatro estão no álbum, incluindo o samba “Balangandã” e “Palavras de Rita”. No entanto, a quinta canção, “Eu mais ela”, não chegou a ser apresentada nas gravações, o que deixou um vácuo na expectativa dos fãs. Outro ponto alto das apresentações foi a interpretação de “Mares da Espanha”, um tributo à compositora Angela Ro Ro, que estava gravemente enferma na ocasião e faleceu logo após a estreia da turnê. Este momento se destacou como um dos mais emocionantes do show.
Além das músicas, o álbum também traz um texto de Dora Fischer Smith que, curiosamente, não foi incluído na edição final. Com isso, a essência da apresentação ao vivo se mantém viva, mas alguns fragmentos da experiência ficaram de fora. Eucanaã Ferraz, ao abrir o álbum com suas palavras, resume bem o sentimento de celebração que permeia o trabalho: “Este álbum se passa numa só noite. Levou 60 anos para ser feito. É festa.” Assim, “60 anos de carreira” não é apenas um registro musical, mas uma verdadeira celebração da arte e da vida de uma das maiores vozes do Brasil.



