sexta-feira, 30/10/2026

Aos 80 anos, Belchior é celebrado, mas foco do culto se limita a ‘Alucinação’ e negligencia sua obra completa

Antonio Carlos Belchior, que faria 80 anos nesta segunda-feira, 26 de outubro, é uma figura que passou por altos e baixos em sua trajetória musical. Durante grande parte da década de 2000, seu nome…

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Antonio Carlos Belchior, que faria 80 anos nesta segunda-feira, 26 de outubro, é uma figura que passou por altos e baixos em sua trajetória musical. Durante grande parte da década de 2000, seu nome caiu em desuso, até que sua decisão de se afastar do cenário musical e viver em um exílio errante entre 2007 e 2017 despertou um renovado interesse por sua obra. Sua morte, em abril de 2017, apenas acelerou esse processo de redescoberta, transformando Belchior em um ícone reverenciado por novas gerações.

O álbum “Alucinação”, lançado em 1976, é frequentemente apontado como a obra-prima do artista, encapsulando as angústias e esperanças de um jovem nordestino em busca de seu lugar no Brasil urbano. As letras de Belchior refletem uma juventude desiludida, marcada pela queda dos ideais contraculturais da década anterior. Canções como “Mucuripe” e “Todo sujo de batom” fazem parte desse repertório que ainda ressoa fortemente com o público.

Entretanto, é importante ir além da consagrada “Alucinação”. Embora o artista tenha enfrentado um hiato criativo nos anos 1980, com lançamentos menos impactantes, obras posteriores como “Baihuno” (1993) merecem atenção. Nela, Belchior já denunciava problemas sociais que permanecem relevantes, como a degradação moral e a opressão, mostrando que sua visão crítica continuou a se desenvolver mesmo em momentos de crise na sua produção musical.

Portanto, enquanto o culto à figura de Belchior se intensifica, é necessário que os admiradores não se limitem a um único álbum, mas busquem explorar toda a riqueza de sua discografia. A obra do cantor é um convite à reflexão sobre a sociedade brasileira e suas contradições, algo que permanece tão pertinente hoje quanto nos anos 70. Afinal, a arte de Belchior oferece não apenas uma viagem ao passado, mas também uma análise crítica do presente.