sexta-feira, 30/10/2026

Da música pop ao sertanejo: cinco relatos sobre a presença da publicidade nas letras das canções

O Brasil se prepara para receber as Pussycat Dolls em um show marcado para o dia 30 de outubro em São Paulo, e essa ocasião desperta reflexões sobre a evolução das estratégias de marketing…

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O Brasil se prepara para receber as Pussycat Dolls em um show marcado para o dia 30 de outubro em São Paulo, e essa ocasião desperta reflexões sobre a evolução das estratégias de marketing na música. A ideia de inserir publicidade dentro das letras das canções, que parecia uma inovação promissora, acabou revelando nuances complexas ao longo dos anos. A seguir, revisitamos cinco marcos que ilustram essa trajetória.

Primeiramente, é impossível não mencionar o incidente de 2008, quando um e-mail do empresário Adam Kluger, enviado por engano, revelou sua intenção de vender espaços publicitários nas letras das Pussycat Dolls. A mensagem, que caiu nas caixas de entrada de vários jornalistas, expôs a visão de Kluger: “A gente tem as celebridades e eles têm o dinheiro”. Apesar da ousadia, nenhuma música da banda foi comercializada, mas a ideia já estava lançada.

Enquanto as Pussycat Dolls não embarcaram nessa onda, outros artistas, como o rapper Flo Rida, se mostraram mais receptivos. Ele foi um dos primeiros a incorporar o marketing em suas canções, citando marcas diretamente em faixas como “Hey Jasmin” e “Zoosk Girl”. Essas músicas, que conectavam diretamente produtos a suas letras, representaram um passo ousado na comercialização da arte.

Contudo, a recepção a essas iniciativas foi mista. Nos anos seguintes, o pop internacional preferiu se afastar dessa prática, considerando-a uma mercantilização excessiva da música. A indústria percebeu que as inserções visuais em videoclipes eram mais eficazes, enquanto as referências sonoras nas letras poderiam afastar os fãs.

No Brasil, a realidade se mostrou diferente. O mercado sertanejo adotou a técnica com sucesso, utilizando-a como um motor de lucro. Gusttavo Lima, por exemplo, lucrou mais de R$ 1 milhão ao mencionar o uísque Old Parr em sua música “Zé da Recaída”. A dupla Zé Neto & Cristiano também se destacou com “Alô Ambev”, misturando elementos de uma balada de sofrência com um jingle da Brahma, mostrando que o público brasileiro parece ter aceitado melhor essa abordagem.

Atualmente, a prática de vender espaços diretos nas letras é rara. A maioria dos artistas cita marcas de forma orgânica, sem remuneração, como fazem Caetano Veloso e Lulu Santos ao mencionar uma coca-cola em suas canções. Essa abordagem mantém a fluidez da narrativa, preservando a integridade artística. No final das contas, as colaborações visuais em videoclipes e parcerias de turnê continuam a ser o foco, provando que, no mundo da música, a autenticidade ainda vale mais do que um patrocínio explícito.