sexta-feira, 30/10/2026

Pitty mistura influências do punk rock com sonoridades pop e metal em novo álbum

Pitty apresenta seu mais novo trabalho, o sexto álbum de estúdio, intitulado simplesmente “Pitty”, que chega às plataformas digitais e em formato físico nesta sexta-feira, 16 de outubro. Com 12 faixas, o disco traz…

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Pitty apresenta seu mais novo trabalho, o sexto álbum de estúdio, intitulado simplesmente “Pitty”, que chega às plataformas digitais e em formato físico nesta sexta-feira, 16 de outubro. Com 12 faixas, o disco traz um retorno à sonoridade punk que marcou os primeiros anos da carreira da artista, mas agora temperado com a sabedoria adquirida ao longo de sua trajetória pessoal e profissional.

O single “Sobremesa”, que antecipou o álbum, já indicava essa mistura de nostalgia e renovação. Embora traga um rock energético, ele também sugere um retrocesso em relação ao aclamado “Matriz” (2019), onde Pitty explorou novos horizontes musicais, filtrando sua Bahia natal através do rock. Com a produção de Rafael Ramos e a própria Pitty, o álbum homônimo parece ignorar essa evolução, remetendo mais à sua fase inicial.

Em “Pitty”, a artista revisita suas raízes com faixas como “Não à deriva”, que transita pelo stoner rock, e “Desobediente”, que incorpora elementos do metal. No entanto, a maturidade de seus 49 anos, completados em 7 de outubro, e suas experiências de vida, incluindo maternidade e superação de adversidades, se refletem nas letras profundas e introspectivas, como em “Álbum de casamento”.

Neste blues-rock, Pitty aborda temas de autoconhecimento e empoderamento: “Eu já tomei de volta a posse do que é meu / Minha arte, meu corpo, minha maternidade”. A artista, que assina todas as letras do álbum sem colaborações, expressa um tom altivo e de autoconfiança.

Contudo, há momentos em que o disco se desvia de sua proposta central, como em “Pileque de poeta”, que coqueteia com o pop contemporâneo, destoando da essência roqueira. Faixas como “Sobriedade seletiva” conseguem integrar melhor os elementos do punk e da música eletrônica, mas ainda assim, a sensação de desconexão persiste.

Por outro lado, o álbum brilha quando a intensidade diminui, como em “Caminhada”, uma balada que celebra a sororidade e a força feminina. “Não aceito que te calem, não aceito o teu fim”, canta Pitty, reafirmando seu compromisso com a solidariedade entre as mulheres. Outro destaque é a rock-balada “Cuidada”, onde a artista reflete sobre sua relação com a mãe, trazendo à tona suas próprias experiências como mãe.

Com um som robusto, característico de suas performances, o álbum se despede com “Nó”, uma declaração de resistência e recomeço. “Pior que cair é nem tentar andar”, afirma Pitty, encerrando o disco em um tom esperançoso. Apesar da sensação de que a artista pode ter dado um passo atrás em sua evolução musical, a verdade é que Pitty continua firme e em movimento, reafirmando sua presença no cenário musical.