No último sábado, 17 de outubro, o Nubank Parque em São Paulo foi palco de um espetáculo que transcendeu gerações: o show de Jorge Ben Jor. Com impressionantes 87 anos, o artista desafiou o tempo, apresentando-se com um vigor notável por mais de duas horas. A idade, que poderia sugerir um artista em declínio, foi apenas um detalhe diante da energia contagiante que ele exalava no palco.
Com sua presença rara e altamente aguardada, Jorge Ben Jor não faz questão de seguir a rotina de turnês intermináveis. Ao invés disso, realiza uma série limitada de shows, cada um deles um evento singular. O título do concerto, “Alquimia Popular Brasileira”, gerou expectativas sobre uma homenagem ao icônico álbum “A Tábua de Esmeralda”, mas os fãs encontraram mais do que isso: um setlist clássico com algumas surpresas, incluindo a inclusão da faixa mencionada.
A estrutura do palco, com telões cúbicos e um grande telão circular, proporcionou um visual impactante sem perder a essência do artista. O espetáculo não se tratou apenas de música; foi uma verdadeira celebração da carreira de Jorge Ben, que atraiu 51 mil pessoas, um feito impressionante para um artista nacional em uma cidade que, nos últimos tempos, tem visto muitos shows de grande porte.
Durante a performance, o músico não se alongou em palavras. Sua comunicação era feita através da música, com sequências memoráveis como “Magnólia” e “País Tropical”. No entanto, foi um momento de vulnerabilidade que tocou a plateia: ao alterar a letra de “Alcohol” para “gosto tanto de vocês”, Jorge se emocionou, levando o público a uma ovação calorosa.
O clima do evento estava impregnado de um sentimento coletivo, especialmente com a proximidade de uma eleição presidencial acirrada. Embora Jorge Ben Jor tenha se mantido afastado de declarações políticas, a plateia não hesitou em expressar suas preferências, intercalando aplausos e gritos que refletiam a polarização do momento.
O show também foi um exemplo da capacidade de Jorge Ben Jor de unir diferentes vozes da música brasileira, com convidados especiais como Samuel Rosa e Baby do Brasil compartilhando o palco. Esse espírito de coletividade e celebração da cultura nacional é um reflexo da própria trajetória do artista, que, mesmo em tempos desafiadores, continua a ser uma fonte de alegria e inspiração para muitos.



