sexta-feira, 30/10/2026

A Influência do Funk na Campanha de Políticos Conservadores nas Últimas Eleições

Na corrida eleitoral de 2026, candidatos da direita inovaram ao adotarem jingles de funk como forma de se conectar com o eleitorado jovem e impulsionar suas campanhas nas redes sociais. Contudo, essa estratégia revelou-se…

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Na corrida eleitoral de 2026, candidatos da direita inovaram ao adotarem jingles de funk como forma de se conectar com o eleitorado jovem e impulsionar suas campanhas nas redes sociais. Contudo, essa estratégia revelou-se controversa, uma vez que não conquistou o apoio dos artistas do gênero e gerou críticas por aparentes contradições nas posturas dos políticos.

Entre os protagonistas dessa abordagem estão figuras como Eduarda Campopiano, Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Flávio Bolsonaro, que utilizaram a sonoridade do funk em diversos atos públicos. De acordo com dados do Spotify, no domingo do segundo turno, seis das 50 canções mais tocadas no Brasil eram versões adaptadas que promoviam o candidato do PL e atacavam Luiz Inácio Lula da Silva.

Os funks de direita se tornaram verdadeiros hinos de campanha, ecoando nos eventos de apoio antes e durante a contagem dos votos. Entretanto, a relação dos candidatos de direita com o funk, que parecia promissora em 2024, não se repetiu nesta eleição. As músicas, que traziam letras como “Quem ficar parado é petista disfarçado”, foram utilizadas para animar o público e criar um ambiente festivo nas manifestações.

Embora o funk tenha atraído atenção de jovens apoiadores, sua utilização gerou um conflito com os discursos conservadores, que frequentemente associam o gênero a uma “narcocultura”, repleta de conotações negativas relacionadas ao tráfico de drogas. Quando confrontados sobre essa aparente hipocrisia, muitos políticos alegam que suas críticas são direcionadas apenas às letras de algumas músicas e aos eventos em comunidades, não ao gênero como um todo.

Um exemplo notável é Lucas Pavanato, que celebrou sua eleição à Câmara Municipal de São Paulo com funk, apesar de ter sido relator de uma CPI que investigou os pancadões, locais frequentemente associados ao gênero. Em seu relatório, ele caracterizou esses eventos como espaços que difundem a narcocultura, um discurso contraditório que não passou despercebido por muitos.

O funk, que se consolidou como um fenômeno cultural desde a década de 2010, sempre se manteve à margem da política. A primeira tentativa de aproximação formal ocorreu com Rodrigo Oliveira, da GR6, que concorreu a vereador em São Paulo, mas não obteve sucesso. Nas eleições de 2018 e 2022, a polarização política dividiu os MCs, e alguns, como Kondzilla, se aliaram a Lula, enquanto outros mudaram de lado em 2024, apoiando candidatos de direita.

O uso do funk por políticos conservadores em 2026 não foi bem recebido por muitos artistas do gênero, que optaram por apoiar Lula ou permanecer em uma posição neutra. Mesmo assim, a estratégia de incorporar o funk nas campanhas de direita continuou, com defensores argumentando que se trata de uma questão de liberdade criativa. Pavanato, por exemplo, defendeu que o problema reside nas letras, não no ritmo.

Contudo, figuras como Renan Santos, que já associou o funk a uma cultura “narcoterrorista”, criticaram a utilização do gênero por candidatos conservadores, afirmando que muitos eleitores reagiam negativamente a essa abordagem, considerando-a inautêntica e repugnante. A polarização em torno do funk traz à tona a complexidade das relações entre música, política e identidade cultural no Brasil contemporâneo.

Crédito da imagem: Funk de camapnha do Flávio viralizou entre os jovens