sexta-feira, 30/10/2026

Kneecap traz sua mensagem de resistência ao Brasil com rap em irlandês e apoio à causa palestina.

O Kneecap, um trio de rap da Irlanda do Norte, está prestes a fazer sua estreia no Brasil, marcando um importante ponto de virada em sua trajetória internacional. O show, que acontece nesta sexta-feira…

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O Kneecap, um trio de rap da Irlanda do Norte, está prestes a fazer sua estreia no Brasil, marcando um importante ponto de virada em sua trajetória internacional. O show, que acontece nesta sexta-feira (23) no Cine Joia, em São Paulo, é o resultado de uma jornada que levou os artistas a diversos cantos do mundo, incluindo Japão e Europa, além de um segundo álbum aclamado pela crítica.

Formado em 2017 em Belfast, Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí não são apenas músicos; são portadores de uma mensagem que entrelaça ativismo político, humor e batidas pesadas, tudo isso enquanto utilizam o gaélico, uma língua que sofreu repressão ao longo da história. A conexão do grupo com causas sociais é clara, especialmente na defesa da Palestina, que se reflete em suas letras e performances. “Depois de 800 anos de colonialismo, é natural ter empatia por pessoas que estão sendo colonizadas em qualquer lugar do mundo”, explica Mo Chara, elucidando a relação entre a luta de seu povo e a opressão vivida por outros ao redor do globo.

O grupo recentemente venceu uma batalha judicial contra acusações de terrorismo na Inglaterra, que surgiram após a defesa de sua posição política durante um show. Este episódio, longe de ser um obstáculo, acabou se transformando em combustível criativo para o álbum “Fenian”. “No verdadeiro estilo Kneecap, nós viramos o jogo a nosso favor”, diz Chara, destacando como essa experiência influenciou o processo de composição.

Em entrevista, Mo Chara compartilhou suas expectativas para a turnê pela América Latina, ressaltando a empolgação com o público brasileiro. “Estamos extremamente animados com as histórias que ouvimos sobre as plateias latino-americanas. Espero que seja o primeiro show de muitos no Brasil”, afirma. Apesar das limitações de tempo e orçamento, ele mantém a esperança de explorar a cultura local e aproveitar a gastronomia, incluindo as famosas caipirinhas.

A relação do Kneecap com a cultura do hip-hop é reflexiva. Chara reconhece as raízes do gênero na luta da comunidade negra nos Estados Unidos, mas também vê paralelos na história irlandesa de opressão. “Temos muitas semelhanças. Tínhamos uma história para contar e sentíamos que a nossa comunidade não tinha espaço na grande mídia”, diz ele, explicando a escolha do hip-hop como meio de expressão.

Com sua abordagem única, o Kneecap não apenas entretém, mas também educa e provoca reflexões sobre a história e as injustiças. A expectativa é que o show em São Paulo não seja apenas um espetáculo musical, mas uma experiência de união e conscientização, onde o público, independentemente do idioma, se sinta parte de uma grande família.

Crédito da imagem: Mo Chara, DJ Próvaí e Móglaí Bap formam o Kneecap